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ARTIGOS

10.05.2018

CUIDADOS PALIATIVOS (Parte 3)

O foco na doença e não no doente, ainda está fortemente consolidado na formação dos profissionais de saúde, refletido em ações biológicas e tecnicistas, desconsiderando o fato de que o estado de ânimo é capaz de alterar o próprio funcionamento do organismo, contribuindo para a melhoria do estado de saúde do paciente.

A voz do paciente, suas vontades e desejos frequentemente são suplantados por um saber maior. O conhecimento hegemônico dos profissionais de saúde em relação às ações de cuidado e terapêutica medicamentosa se sobrepõe à vontade pessoal, sendo a voz do paciente apenas reflexo de sua ignorância e debilidade diante da doença.

Atualmente sob a concepção de saúde, estas atividades não se incluem como terapêutica, por não consistirem enquanto prescrição de tratamento para uma doença e, sim, como ações da vida de pessoas ?normais?. O fato de estar ?preso? a uma cama não inviabiliza pequenos ?prazeres? da vida; o objetivo é potencializar a vida, o indivíduo e não a doença.

Em uma tal situação, a equipe procura atender a quaisquer solicitações, mediante avaliação multidisciplinar, num esforço para suprir os que podem ser os derradeiros desejos de um ser humano. A palavra ?não pode? inexiste nesse contexto, pois até o momento em que se possa verbalizar a vontade do paciente, esta deve permanecer; porém, muitas vezes contrapõem-se os valores individuais de cada um. São exemplos: fumar moderadamente, tomar sorvete, festa de aniversário, tomar sol na praça, ouvir rádio ou assistir à TV.

Os cuidados paliativos modernos estão organizados em graus de complexidade que se somam em um cuidado integral e ativo. Os cuidados ao fim de vida referem-se, em geral, aos últimos dias ou últimas 72 horas de vida. O reconhecimento desta fase pode ser difícil mas é extremamente necessária para o planejamento do cuidado e preparo do paciente e sua família para perdas e óbito.

Sedação paliativa é a administração deliberada de fármacos que reduzem o nível de consciência e eliminar o sofrimento físico, com o consentimento do paciente ou de seu responsável, que tem por objetivo aliviar adequadamente um ou mais sintomas refratários em pacientes com doença avançada terminal.

Muitas vezes, um indivíduo que é admitido com prescrição de sedação, ou seja, ?coma induzido?, em uma instituição própria para Cuidados Paliativos para viver suas derradeiras horas ou alguns dias, acaba por surpreender a todos, e tem seu fim postergado naturalmente. Isso porque o cuidado humanizado aumenta a potência da vida, devido ao fato de que o doente é percebido como uma pessoa e não como uma doença.

A oferta de um cuidado que valoriza o ser humano, provê a este um estado emocional mais favorável, mediante o qual a resposta do organismo é mais eficaz no combate às enfermidades que o acometem, prolongando-lhe naturalmente a vida.

As ações de cuidados paliativos devem, em um contexto geral, estarem vinculadas a valores da vida humana. Vislumbrar um protocolo seria como dizer que o fim do ciclo de vida de todo o ser humano se dá de maneira igual e sistematizada.

Cuidado paliativo implica em envolvimento de fato entre seres humanos e não na mera execução de exames, protocolos e procedimentos.

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